Vinícola Odfjell: a vinícola em Santiago que nos surpreendeu

Vinícola Odfjell Em Santiago Chile

Post atualizado em setembro de 2026.

Em dezembro de 2025 passamos 10 dias no Chile e dividimos a viagem entre a agitação cultural de Santiago e as paisagens surreais do deserto do Atacama. Foram 2 dias em Santiago e depois 5 dias inteiros no Deserto do Atacama.

Dentro desse roteiro curto, a gente sabia que queria fazer uma vinícola. O que a gente não queria era a experiência de sempre: ônibus cheio, guia com discurso decorado, três taças e tchau. Foi uma amiga que garimpou a vinícola Odfjell, e foi a melhor coisa que aconteceu no nosso roteiro por Santiago.

Neste post eu conto como reservamos, quanto pagamos de verdade, como foi o picnic e o que rolou de imprevisto — porque teve um imprevisto muito bom.

A história da Odfjell Vineyards

A Odfjell é uma vinícola familiar de origem norueguesa instalada no Vale do Maipo. A produção é orgânica e sustentável, com uvas certificadas pela EcoCert Chile, sem corantes artificiais, conservantes sintéticos ou resíduos de pesticidas.

São três vinhedos próprios: Padre Hurtado, no Maipo, que é onde fica a sede e onde a visita acontece; Tres Esquinas, no Maule, com parreiras centenárias de Carignan; e Ribera del Río Claro, no Vale de Lontué.

As linhas de vinho vão do Armador, que é o mais acessível, passando por Capítulo, Orzada e Elusiva, até os ícones Aliara, Vigno e Zippora. Guarda o nome Armador, porque é ele que vem no picnic.

Uma coisa que vale registrar: é uma vinícola ainda pouco conhecida pelos brasileiros. Isso tem lá suas vantagens, como você vai ver.

Onde fica e como chegar

A vinícola fica em Padre Hurtado, no Vale do Maipo, no endereço Camino Viejo a Valparaíso 7.000. São cerca de 40 km do centro de Santiago, e no nosso caso o trajeto levou uns 50 minutos.

Como chegamos: transfer privativo

Fomos em sete: três casais e o filho de um deles. Com esse tamanho de grupo, fechamos um transfer privativo com uma empresa local. O motorista nos levou, ficou esperando o picnic inteiro e nos trouxe de volta. Foi de longe a melhor decisão da visita, porque ninguém precisou ficar de olho no relógio nem escolher quem não ia beber.

Sobre o preço, vou ser transparente: pagamos 200.000 pesos chilenos por 7 pessoas (dezembro de 2025), só que esse valor não foi só da vinícola. Ele incluía também os traslados aeroporto–hotel na ida e na volta. Então não dá para eu te dizer “o transfer para a Odfjell custa X” — seria enganação. O que dá para dizer é que, dividido pelo grupo, saiu barato e valeu muito.

Uma coisa que nos informaram e que vale você confirmar na hora de fechar: esse tipo de transfer costuma trabalhar com um pacote de cerca de 4 horas totais. Pergunte isso antes de fechar, para não ter surpresa de hora extra.

Carro alugado ou Uber?

As outras opções:

  • Aluguel de carro — ideal para quem quer liberdade, mas alguém do grupo precisa se comprometer a não beber. Como o passeio é justamente sobre vinho, pense bem se compensa.
  • Uber — funciona para ir, mas a vinícola é afastada e pode ser bem difícil conseguir carro para voltar. Não recomendo.

Se for de carro alugado, uma dica para economizar: reservando pela Rentcars com o cupom STVR você ganha 5% de desconto. O cupom só funciona se for aplicado na última etapa do pagamento, e vale apenas para quem entra pelo meu link.

Quanto custa e como reservar

Reservamos pelo WhatsApp (+56 9 2613 7180), com um mês de antecedência. Eles pediram 50% do valor no ato da reserva e o restante pôde ser pago no local. O atendimento foi rápido e resolveu tudo por mensagem mesmo.

Nós fizemos o picnic, e pagamos 20.000 pesos chilenos por pessoa (dezembro de 2025).

Se você quiser comparar as opções, esses são os passeios que a Odfjell oferecia quando consultei o site oficial (07/09/2026). Todos funcionam de terça a sábado, em espanhol ou inglês, e só com reserva confirmada:

ExperiênciaPreço em pesos chilenos (por pessoa)Duração
Picnic40.000 para 2 pessoas—
Orzada, só degustação (3 vinhos)12.00030 min
Aliara, só degustação (5 vinhos)21.00040 min
Premium, só degustação (4 ícones)45.00040 min
Orzada, tour com adega (3 vinhos)20.00090 min
Aliara, tour com cavalos (5 vinhos)34.000120 min
Premium, tour completo (4 ícones)65.000120 min
Horse Experience, cavalgada (5 vinhos)66.000180 min

O picnic tem mínimo de 2 pessoas, sai por 12.000 pesos para crianças de 13 a 17 anos e é gratuito até os 12. A Horse Experience aceita no máximo 4 pessoas por horário e depende do tempo.

Confira sempre os valores atualizados no site oficial da Odfjell, porque preço de vinícola muda de temporada.

Como foi o nosso picnic

picnique

A cesta do picnic é montada para duas pessoas e vem com uma garrafa de Armador à escolha, dois sanduíches do dia, frutas da estação e uma tábua com queijos, charcutaria e castanhas. Se alguém do grupo tiver restrição alimentar, avise na reserva — eles adaptam.

Como éramos três casais, fizemos o que eu recomendo para qualquer grupo: cada casal escolheu uma garrafa diferente. Ficamos com um Sauvignon Blanc, um Cabernet Sauvignon e um Carménère, e aí todo mundo provou os três em vez de ficar preso a um só.

Uma nota para quem viaja com filhos: tínhamos uma criança de 12 anos no grupo, e ela não pagou nada. A política do picnic é gratuidade até os 12 anos e 12.000 pesos dos 13 aos 17 (valores de 07/09/2026). Foi por isso que, no fim, o picnic saiu por 20.000 pesos por adulto: três cestas de casal, com a criança inclusa.

Três horas e meia só para o nosso grupo

Ficamos cerca de três horas e meia — e aqui vai o detalhe que, para mim, é o que separa a Odfjell das outras: não tinha mais ninguém lá além do nosso grupo. Nenhum outro visitante, nenhum ônibus chegando, nenhuma outra mesa. Nas vinícolas mais conhecidas do Maipo, que são bem mais comerciais, isso é impensável: você entra num esquema de horário apertado, dividindo o espaço com dezenas de pessoas.

Repare também que essas três horas e meia encaixam quase exatamente no pacote de cerca de 4 horas do transfer que mencionei acima. Se você for fechar transporte, use isso como referência de tempo.

O terraço, a sombra e a vista

Sobre o cenário: o picnic não é na grama, como o nome sugere. É num terraço coberto, com mesas que são barris de vinho com tampo de vidro e cadeiras redondas de vime com almofadas. De um lado, as portas de madeira e vidro da sala de degustação; do outro, a grade dando direto para o gramado, os vinhedos e as montanhas secas ao fundo.

Estava calor — dezembro é verão no Chile —, mas como ficamos na sombra o tempo todo, foi muito agradável. Se você for no auge do verão, é bom saber que dá para ficar protegido do sol sem perder a vista.

A cesta chega de verdade: uma cesta de vime com forro xadrez, talheres presos na tampa, pratos e guardanapos de pano, e os sanduíches embrulhados em papel. A tábua vem generosa — brie, queijos em fatias e palitos, salame, chouriço em rodelas, amêndoas, damascos secos, tomatinhos, morangos e mirtilos. Veio também uma jarra de suco de laranja, o que resolveu bem a vida da criança do grupo.

Uma coisa que não vou fingir que lembro: o recheio do sanduíche. Ele é “o sanduíche do dia”, muda conforme a data, então não adianta eu te prometer nada aqui.

As taças são da casa, com o cavalo do logo gravado. E as garrafas que abrimos foram o Armador Sauvignon Blanc, o Carménère e o Cabernet Sauvignon.

O tour que não estava no combinado

Aqui aconteceu a parte mais legal do dia, e ela não estava no pacote.

Comentei com a Karin, que nos recebeu, que tenho um blog e uma agência de viagens. Ela foi simpática desde o começo e acabou nos levando para conhecer o local onde os vinhos são armazenados, contando a história da vinícola pelo caminho. Foi ali que o passeio deixou de ser um picnic bonito e virou outra coisa.

A história que a Karin nos contou

Armazenamento de vinho na  Odfjell

A história é a seguinte. O dono é Dan Odfjell, um empresário norueguês cujo negócio principal é uma companhia de navegação. Nos anos 1980 ele veio ao Chile e se apaixonou tanto pelas paisagens quanto pelo clima do país. Foi a ponto de comprar esta propriedade, onde já existiam algumas árvores frutíferas e parreiras de uva de mesa.

Mas a vinícola não nasceu ali. Só nos anos 1990, quando o Chile entrou de vez na industrialização do vinho, é que ele pensou em transformar aquilo numa vinícola de verdade. Procurou especialistas em viticultura e começou o trabalho.

O detalhe que muda tudo é o porquê. Ele não queria mais uma vinícola chilena: queria algo com um selo próprio, que representasse a origem dele e o jeito dele de fazer as coisas. Daí a escolha pelo orgânico e pelo sustentável, que atravessa o processo inteiro.

E a sustentabilidade ali não é só discurso ambiental. A Karin nos contou que a vinícola tem capacidade para 2 milhões de litros por ano, mas produz só 500 mil — uma decisão deliberada. A capacidade ociosa é arrendada para outros produtores, com a intenção de ajudar a comunidade local. Ou seja: sustentabilidade como questão social, não apenas ambiental. Eu saí de lá pensando nisso.

Os cavalos que vieram da Noruega

Os cavalos também entram nessa história. São cavalos noruegueses da raça Fjord — e não, não são pôneis, ainda que o porte engane. Eles vieram direto da Noruega, em parte para que o Dan se sentisse em casa, e em parte porque ajudam no trabalho da vinícola e nos selos de sustentabilidade.

Nós vimos os cavalos só de longe, e foi opção nossa. Eles ficam nas cavalariças da propriedade e fazem parte dos tours Aliara e da Horse Experience — como fizemos só o picnic, não chegamos perto. Se ver os cavalos de perto for importante para você, escolha um desses dois passeios em vez do picnic puro.

Um parêntese de arquiteta

Vinícola Odfjell

Aqui eu não consigo me conter, porque é deformação profissional: eu sou arquiteta, e a construção da Odfjell é linda.

É uma arquitetura contemporânea, com muito concreto aparente e madeira. Mas o que mais chama atenção não é o edifício em si, e sim como ele se integra à paisagem. A vegetação toma conta de boa parte da fachada, e por dentro os grandes panos de vidro enquadram os vinhedos e as montanhas como se fossem quadros.

É um projeto sóbrio, no melhor sentido: a arquitetura não tenta roubar a cena. Ela se apaga o suficiente para que os materiais e a paisagem sejam os protagonistas. Esse contraste entre o construído e o natural é exatamente o tipo de coisa que eu mais gosto de olhar, e aqui ele está muito bem resolvido.

O que saber antes de ir

Sendo sincera: não teve nada que desse errado. Se eu fosse mudar alguma coisa, eu teria fechado mais passeios além do picnic, porque foi tudo tão agradável que a gente saiu de lá querendo mais.

Mas existem limitações reais que você precisa saber antes de montar seu dia, e é melhor saber agora do que descobrir no lugar (informações do site oficial, consultadas em 07/09/2026):

  • Só funciona de terça a sábado. Se seus dias em Santiago caírem no domingo e na segunda, não dá.
  • Tudo é só com reserva confirmada. Não existe chegar e entrar. Eu reservei com um mês de antecedência.
  • O picnic tem mínimo de 2 pessoas e horário fixo às 13h, ou como complemento antes ou depois de um tour.
  • A volta é o problema logístico. A vinícola é afastada e conseguir Uber para voltar pode ser difícil. Resolva o transporte antes de ir.
  • A Horse Experience aceita no máximo 4 pessoas por horário e depende das condições do tempo.
  • Os passeios são em espanhol ou inglês. Não há opção em português.

Vale a pena? Para quem eu indico

Para quem viaja com filhos. Essa é a indicação mais forte que eu tenho. Nas vinícolas que já visitei, restrição de idade é comum, e isso corta o passeio da lista de quem viaja em família. Na Odfjell nós fomos com uma criança de 12 anos e não houve nenhum problema — ela entrou gratuitamente, já que o picnic é livre até os 12 anos e sai por 12.000 pesos dos 13 aos 17 (valores de 07/09/2026).

Para quem quer exclusividade. Como eu contei, ficamos três horas e meia sozinhos no lugar. Se a sua ideia de um bom dia de vinho não envolve dividir a mesa com um ônibus de turistas, é aqui.

Para quem já cansou do circuito comercial. As grandes vinícolas do Maipo funcionam num ritmo industrial de visitação. A Odfjell é o oposto disso — e não por acaso: a vinícola não é o negócio principal do Dan, e a produção é deliberadamente menor do que poderia ser. Isso explica muita coisa sobre o clima do lugar.

Para quem tem só meio período livre. E aqui vai a dica mais prática que eu tenho para dar: a Odfjell fica no meio do caminho entre Santiago e o aeroporto, e também entre Santiago e Viña del Mar. Ou seja, dá para encaixar como pit stop no dia da chegada ou da saída, ou no trajeto de quem vai passar uns dias no litoral. Em vez de gastar um dia inteiro do roteiro, você aproveita um deslocamento que já ia fazer de qualquer jeito. Só não esqueça que o picnic é às 13h e que precisa reservar.

Para quem eu não indicaria

Quem não bebe vinho, porque aqui a graça é o vinho e não há muito o que fazer além disso. E quem só tem domingo e segunda livres em Santiago, já que a vinícola não abre nesses dias.

Onde ficamos em Santiago

Nos hospedamos no Hotel Capital Bellet, em Providencia. Contei os detalhes da hospedagem e do que fizemos na cidade no post 2 dias em Santiago, Chile.

Se você está montando um roteiro por Santiago, a Odfjell é uma escolha diferente da rota tradicional do Maipo — e, no nosso caso, foi a lembrança mais forte que trouxemos da cidade.

Fotos: @fotosdeclaudio, publicadas com autorização.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima