Eu montei minha mala para o Atacama completamente perdida. Por isso, quero compartilhar dicas sobre roupas para usar no Atacama e ajudar quem também tem dúvidas na hora de arrumar a bagagem.
O Deserto do Atacama tem um dos climas mais extremos que já encontrei em uma viagem. No mesmo dia pegamos -7°C nos Geysers del Tatio e mais de 30°C durante o dia. Isso tudo em dezembro, pleno verão.
Então se você está tentando entender o que realmente vale a pena levar, este post reúne minha experiência real: o que usei, o que funcionou, o que faltou e o que eu faria diferente hoje.
E já adianto uma coisa: não existe uma mala perfeita para o Atacama.
Eu, por exemplo, usei legging na maior parte dos passeios porque não gosto de pegar muito sol nas pernas e costumo ficar com marcas fortes de bronzeado. Mas vi muita gente usando shorts tranquilamente durante o dia.
No fim das contas, o segredo não está em levar muita roupa, mas em entender como funciona o clima do deserto e apostar nas camadas certas.
Também já deixo aqui o link do meu outro post com nosso roteiro completo de 5 dias no Deserto do Atacama, passeios e dicas práticas da viagem.
Como é o clima no Deserto do Atacama?
Minha viagem aconteceu em dezembro, ou seja, durante o verão. Por isso, toda a minha experiência e as roupas que levei foram pensadas para essa época.
Mas se você está viajando em outro período, vale saber que as temperaturas podem mudar bastante.
Verão (dezembro a fevereiro)
Foi a época em que visitei o Atacama.
Durante o dia pegamos temperaturas acima dos 30°C em alguns passeios, mas os Geysers del Tatio chegaram a -7°C logo pela manhã.
É também o período do chamado Inverno Altiplânico, quando podem acontecer chuvas em algumas regiões do deserto.
Outono (março a maio)
As temperaturas começam a ficar mais amenas durante o dia e as noites ficam mais frias.
É uma época considerada por muita gente uma das melhores para visitar o Atacama, já que costuma ter menos chuvas e temperaturas mais equilibradas.
Inverno (junho a agosto)
É quando o frio aparece com mais força.
As manhãs podem registrar temperaturas negativas com frequência, especialmente nos passeios de maior altitude.
Quem visita o Atacama nessa época geralmente precisa dar ainda mais atenção às roupas térmicas, gorros, luvas e casacos mais pesados.
Primavera (setembro a novembro)
As temperaturas começam a subir novamente e os dias ficam mais agradáveis.
Ainda assim, o frio nas primeiras horas da manhã e durante a noite continua fazendo parte da rotina no deserto.
Independentemente da estação, uma coisa não muda: o Atacama tem uma grande amplitude térmica. Você pode sair para um passeio enfrentando frio intenso e poucas horas depois estar procurando sombra por causa do calor.
Por isso, roupas em camadas continuam sendo a melhor estratégia durante o ano inteiro.
Minha experiência montando a mala para o Atacama
Quando comecei a montar minha mala, achei que o maior desafio seria o frio.
Mas depois da viagem percebi que o verdadeiro desafio era se adaptar às mudanças de temperatura ao longo do dia.
Por isso, algumas peças acabaram sendo muito mais importantes do que outras.
As três que mais fizeram diferença para mim foram:
- fleece;
- corta-vento;
- casacão de neve.
O fleece e o corta-vento me acompanharam praticamente a viagem inteira.
Já o casacão de neve apareceu menos. Usei apenas nos passeios mais frios e nas saídas de madrugada, mas nos momentos em que precisei dele fez toda a diferença.
Na hora de montar a mala, eu também fiz uma escolha consciente: preferi levar poucas peças de frio e repetir quando necessário.
Como viajei apenas com mala de bordo, não fazia sentido levar vários casacos parecidos só para variar as fotos.
Então escolhi um fleece, um corta-vento e um casaco que combinassem com o restante da mala e funcionassem em diferentes situações.
Se você pretende viajar com mala despachada, pode levar opções extras para variar mais os looks. Mas, para mim, repetir as mesmas peças durante a viagem nunca foi um problema.
Afinal, o que eu levei para o Atacama?
Minha viagem teve:
- 2 dias em Santiago
- 5 dias inteiros no Deserto do Atacama
- e mais 3 dias de deslocamento
Como viajei apenas com mala de bordo, precisei fazer escolhas.
A lista abaixo não é uma recomendação exata do que você precisa levar, mas sim o que funcionou para mim em uma viagem de dezembro.
Meu objetivo era montar uma mala prática, confortável e que funcionasse tanto para o calor do dia quanto para o frio dos passeios de madrugada.
Roupas do dia a dia
- 2 shorts
- 3 leggings
- 6 blusas
- 3 tops
- 1 conjunto confortável para viagem
- 1 pijama
Roupas de frio
- 2 blusas térmicas
- 2 calças térmicas
- 1 fleece
- 2 corta vento
- 1 casacão de neve
- 1 gorro
- 1 pescoceira
- 1 par de luvas
Laguna, termas e piscina
- 1 maiô
- 2 biquínis
- 1 saída de praia
Calçados
- 1 tênis branco (que só usei em Santiago e nos deslocamentos. Não vá de tênis branco para o Atacama, suja MUITO)
- 1 botinha de trilha
Outros
- 7 meias
- roupa íntima
- 1 toalha de microfibra (que nem usamos)
Como eu montaria essa mala hoje
Se eu voltasse hoje para o Atacama, faria algumas mudanças na minha mala.
A principal delas seria levar mais roupas para o pós-passeio. A rotina normalmente era acordar cedo, passar o dia inteiro fora, voltar cheia de areia e protetor solar, tomar banho e sair para jantar. Então, mesmo sem suar muito, no fim do dia as roupas já estavam meio “cansadas”.
Por isso, hoje eu consideraria levar uma roupa para cada passeio e pelo menos três combinações confortáveis para usar à noite. Nem sempre você vai precisar trocar de roupa, mas é bom ter uma margem caso alguma peça suje mais do que o esperado.
Também levaria mais meias. Parece um detalhe bobo, mas uma meia por dia foi pouco para o meu ritmo de viagem.
Já nas roupas de frio, provavelmente trocaria um dos corta-ventos por um segundo fleece. Foi uma das peças que mais usei durante a viagem e teria sido bom ter uma opção reserva caso ele precisasse ser lavado ou acabasse sujando.
Curiosamente, eu não senti falta de mais casacos ou mais roupas para os passeios. O que mais senti falta foram justamente algumas peças confortáveis para usar depois do banho e durante os jantares, além de mais meias para o dia a dia.m segundo tênis. Usei minha botinha praticamente todos os dias e acho que ela merecia descansar um pouco.
O que usei nos passeios do Atacama
Uma coisa que percebi durante a viagem é que não existe uma roupa única que funcione para todos os passeios do Atacama.
Alguns dias pareciam verão. Outros pareciam inverno.
Mas, no geral, minha combinação mais usada foi legging, regatinha de academia e fleece. O corta-vento normalmente entrava em cena quando começava a ventar e/ou esfriar.
Vallecito
O Vallecito foi um dos passeios mais quentes da viagem.
Durante o dia fez bastante calor e fiquei confortável apenas com roupas leves. Mas, como acontece em boa parte do Atacama, a temperatura caiu rápido no fim da tarde.
Na hora do pôr do sol já precisei colocar o corta-vento por cima do fleece.
Piedras Rojas
Em Piedras Rojas usei praticamente a mesma combinação: legging, regata, fleece, corta-vento, boné e botinha.
Foi uma roupa confortável para caminhar e que funcionou bem durante todo o passeio.
Geysers del Tatio
Foi aqui que pegamos o maior frio da viagem.
Os termômetros marcavam cerca de -7°C e, pela primeira vez, usei tudo o que tinha levado.
Segunda pele térmica, calça térmica, fleece, corta-vento, casaco de neve, gorro e luvas.
Mesmo assim o frio ainda aparecia hahaha.
A parte curiosa é que poucas horas depois a temperatura já começa a subir bastante. Por isso as roupas em camadas funcionam tão bem no Atacama.
Laguna Cejar e Termas de Puritama
Já a Laguna Cejar parecia outro destino.
Fez calor, usamos roupas leves e roupa de banho. A água é gelada, mas a experiência vale muito a pena.
Nas Termas de Puritama eu aprendi uma lição importante: evitar biquínis tomara que caia.
Como passei boa parte do tempo dentro da água e estava frio do lado de fora, minhas fotos ficaram parecendo que eu estava sem roupa
Tour astronômico: leve mais roupa do que acha necessário
e tem um passeio em que eu recomendaria levar uma camada extra de roupa, é este.
O vento da madrugada aumenta bastante a sensação de frio.
E uma dica que ninguém me deu: se você pretende tirar as fotos oficiais do tour, roupas claras ou com alguma cor mais vibrante costumam aparecer melhor nas imagens.
Minha jaqueta era preta e acabou se misturando bastante com o cenário.
Dúvidas que eu tinha antes de viajar para o Atacama
Depois da viagem, percebi que algumas das minhas maiores dúvidas nem eram sobre quantas roupas levar, mas sobre quais peças realmente fazem diferença.
Precisa de roupa térmica no Atacama?
Na minha experiência, a roupa térmica foi indispensável apenas nos Geysers del Tatio.
Nos outros passeios eu praticamente não usei.
Se você estiver viajando no verão, talvez consiga passar boa parte da viagem apenas com roupas em camadas. Mas para os Geysers eu ficaria muito mais tranquila levando uma segunda pele.
Precisa de bota de trilha?
Eu usei minha botinha praticamente todos os dias e achei muito confortável.
Mas não considero um item obrigatório.
Vi muitas pessoas fazendo os mesmos passeios usando tênis esportivos comuns sem nenhum problema.
Se você já tem uma bota confortável, vale a pena levar. Mas eu não compraria uma apenas para essa viagem.
Vale a pena levar calça jeans?
Sinceramente? Para os passeios eu não levaria.
Eu me senti muito mais confortável usando leggings e roupas esportivas.
Além de limitar um pouco os movimentos, o jeans não funciona tão bem nas mudanças bruscas de temperatura e demora mais para secar caso suje.
Precisa alugar roupa para o Atacama?
Eu não aluguei roupa e, para mim, não fez falta.
Mas isso depende bastante da época do ano e do que você já tem em casa.
Eu pratico snowboard, então já tinha roupas de frio mais pesadas.
Sinceramente? Acho que muita gente consegue resolver a mala do Atacama com roupas em camadas, um fleece, um corta-vento e um bom casaco.
Talvez até pegando algumas peças emprestadas.
Também não lavei roupa porque foram só 5 dias no Atacama, mas alguns hotéis oferecem lavanderia e existem lavanderias na Rua Caracoles. E como o clima é muito seco, as roupas secam rápido. Então, se precisar, dá até para lavar algumas peças menores no banheiro do hotel.
Vale a pena levar mala grande para o Atacama?
Sinceramente? Acho que não.
O que mais funcionou para mim foi apostar em roupas confortáveis, peças versáteis e roupas em camadas.
Como viajei apenas com mala de bordo, precisei ser estratégica. E olhando para trás, não sinto que uma mala maior teria mudado muita coisa.
O que fez diferença não foi a quantidade de roupas, mas sim escolher peças que funcionassem em diferentes temperaturas e combinassem entre si.
O look perfeito perde feio para conseguir aproveitar um passeio sem passar frio, calor ou torrando no sol do deserto 😂
Conclusão
No fim das contas, montar a mala para o Atacama foi muito mais simples do que parecia antes da viagem.
O segredo não é levar mil roupas.
É entender como funciona o clima do deserto e apostar em camadas inteligentes.
Se eu pudesse resumir tudo o que aprendi, diria para levar menos preocupação com o frio e mais atenção ao conforto durante a viagem. Foram as roupas para o pós-passeio, as meias extras e algumas peças versáteis que fizeram mais diferença no meu dia a dia do que qualquer item super técnico.
Espero que este relato ajude você a montar sua mala com mais tranquilidade do que eu tive antes de viajar hahaha.
E se tiver alguma dúvida específica sobre roupas para usar no Atacama ou quiser compartilhar sua experiência também, deixa aqui nos comentários 😊




