Metrô em Buenos Aires: SUBE ou cartão? O que aprendemos em 2 viagens

Dá para andar de metrô em Buenos Aires pagando direto com cartão de crédito ou débito por aproximação, sem comprar o cartão SUBE. Desde dezembro de 2024, as estações têm catracas que aceitam cartões Visa e Mastercard e celulares com NFC.

Nós vivemos as duas fases. Na primeira viagem, em setembro de 2024, eu e o Nelson compramos a SUBE. Na segunda, em junho de 2026, usamos só o meu cartão Wise, para nós dois. Nas duas, ficamos em Palermo e nos locomovemos basicamente de metrô e a pé.

Neste post, conto como foi a nossa experiência e tudo o que você precisa saber: como pagar, como achar a linha certa, o que esperar dentro do metrô, quando vale mais a pena pegar um Uber e quanto pagamos.

SUBE, subte e colectivo: qual é a diferença?

Antes de tudo, três palavras que você vai ouvir muito por lá. Duas delas são quase iguais:

  • Subte é o metrô. Vem de subterráneo.
  • SUBE é o cartão de transporte. Os argentinos falam “la SUBE”.
  • Colectivo é o ônibus.

Então, quando alguém fala “carregar a SUBE para andar de subte”, está falando de colocar crédito no cartão para andar de metrô.

Como pagar o metrô em Buenos Aires?

Em 2024: com a SUBE

Na nossa primeira viagem, ainda não dava para pagar com cartão por aproximação. Compramos a SUBE num kiosko, que é como uma lojinha de conveniência, e recarregávamos nas próprias estações de metrô. A SUBE também é vendida nas estações e nos centros de atendimento ao turista da cidade.

Um detalhe que pouca gente sabe: compramos uma SUBE só para nós dois. O mesmo cartão pode pagar mais de uma passagem. Um passa na catraca, entrega o cartão para o outro, e o outro passa.

Em 2026: com o cartão por aproximação

Em junho de 2026, nem compramos SUBE. Encostamos o meu cartão Wise na catraca, uma vez para mim e outra para o Nelson.

Três coisas importantes:

  1. Nem toda catraca aceita cartão. As que aceitam têm uma sinalização própria. Procure por ela.
  2. Existe limite por cartão: até 4 passagens por hora e até 10 por dia. Para um casal, sobra. Para uma família de três ou quatro pessoas que vai andar muito de metrô, pode não bastar. Aí vale ter um segundo cartão ou a SUBE.
  3. O cartão precisa ter saldo na moeda certa. Esse ponto merece uma explicação à parte.

Cartão Wise: por que só reais não funcionam?

Se você tem conta na Wise no Brasil e deixa só reais no saldo, o cartão não passa na Argentina. A própria Wise informa que a conversão automática não funciona em cartões emitidos no Brasil quando o saldo em reais está envolvido. Você precisa ter saldo em alguma moeda estrangeira.

E não precisa ser em pesos. Se você não tiver pesos, o cartão converte na hora a partir do saldo em outra moeda. No meu caso, eu já tinha euros na conta, e o cartão foi convertendo de euro para peso a cada viagem.

Mas essa foi uma situação minha. Se o seu dinheiro está em reais, o mais simples é converter para pesos ou dólar no app antes de viajar, sem passar por euro, porque aí seriam duas conversões. A conversão de reais para outra moeda na Wise tem IOF de 3,5%.

Pesos ou dólar? Converter para pesos é uma conversão só, mas o peso perde valor rápido, então não vale converter com muita antecedência. O dólar é mais flexível e o que sobra serve para outra viagem, mas são duas conversões. Para entender melhor o câmbio por lá, leia também Entendendo os câmbios na Argentina: oficial, blue e MEP.

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A SUBE ainda vale a pena?

Vale, em três casos:

  • Se você for andar de trem. Nos trens da região metropolitana, a troca para catracas que aceitam cartão ainda está em andamento.
  • Se você for combinar ônibus, metrô e trem no mesmo trajeto. Os descontos por combinação só valem com a SUBE.
  • Se você for para outras cidades da Argentina. A SUBE é um cartão nacional e funciona em dezenas de cidades, como Mendoza, Bariloche e Ushuaia.

Se você já tem uma SUBE de outra viagem, guarde.

SUBECartão por aproximação
Precisa comprar?SimNão
RecargaNas estações e pontos de recargaNão precisa: debita do cartão
Paga para mais de uma pessoa?SimSim, até 4 passagens por hora e 10 por dia
Passagem do metrô (junho/2026)1.558 pesos se registrada; 2.477 pesos sem registro1.558 pesos
Descontos por combinaçãoSimNão
TrensSimTroca de catracas em andamento

Repare na linha do preço: pagando com o cartão, pagamos o mesmo valor da SUBE registrada. Quem usa uma SUBE sem registro, como a que o turista costuma comprar, pagava bem mais em junho de 2026.

Como achar a linha certa no metrô?

Eu sempre uso o Google Maps. O passo a passo é este:

  1. Coloque o destino e toque em Como chegar.
  2. Escolha o ícone de transporte público.
  3. Escolha a opção que usa o subte. Aparecem a letra e a cor da linha e a estação de embarque.
  4. Toque na rota para ver os detalhes. Aparece o sentido da viagem, que é o nome da última estação da linha.

Na estação, as plaquinhas na parede mostram o nome da estação em que você está e, embaixo, em letras menores, para onde vai o trem. Na Linha D, por exemplo, aparece “a Catedral” ou “a Congreso de Tucumán”, que são o começo e o fim da linha. O “a”, em espanhol, quer dizer “para”. É só procurar a plaquinha com o mesmo nome que apareceu no Google Maps.

Para o Google Maps montar a rota, você precisa de internet na hora. Veja como resolver isso no post Roaming na Argentina: o que mudou para brasileiros.

Outra coisa que sempre fizemos: evitar o horário de pico.

Quer a viagem inteira organizada? No meu Guia de Buenos Aires você encontra sugestões de roteiros, mapas, hospedagens, restaurantes, atrações e dicas práticas.

E se a linha estiver fechada?

Na última viagem, fomos pegar o metrô para voltar para casa na estação Facultad de Derecho, da Linha H, que fica ao lado da Floralis Genérica e da Faculdade de Direito. Ela estava completamente fechada, e tivemos que andar mais uns 20 minutos até a próxima linha.

Não foi um perrengue, mas fica a dica: antes de sair, principalmente na volta do fim do dia, confira se a linha está funcionando. O jeito mais fácil é o app da Emova, a empresa que opera o metrô. Ele mostra em tempo real o funcionamento de cada linha e o horário do primeiro e do último trem.

Como é andar de metrô em Buenos Aires?

Às vezes, o cheiro nos corredores subterrâneos é forte e desagradável. Tem gente vendendo produtos, e às vezes o vendedor coloca o produto no colo de quem está sentado durante o trajeto. Tem gente que canta e pede dinheiro.

Com a gente não aconteceu nada invasivo, mas é uma realidade, como em metrôs de muitas outras cidades. Cada um tem que avaliar se vale a pena.

Insegurança mesmo nós não sentimos em nenhum momento, nem de dia nem de noite. Mas Buenos Aires é uma cidade grande e, como em qualquer cidade grande, vale sempre andar atento.

E tem linha com vagão mais antigo. Teve um em que a gente não teve coragem de sentar.

Quando vale mais a pena pegar Uber?

Para o dia a dia, o transporte público é mais prático e muito mais barato. O Uber nós deixamos para alguma necessidade ou para a noite, para ir e voltar de bar ou restaurante. Também evitávamos pegar metrô à noite.

Do aeroporto, fomos sempre de Uber, pela praticidade. O Aeroparque fica praticamente dentro da cidade, então a corrida até Palermo não sai cara. Se você ainda está escolhendo o bairro, veja onde ficar em Buenos Aires e o que fazer em Palermo.

Quanto pagamos em junho de 2026?

O quêValor
Passagem de metrô com cartão por aproximação1.558 pesos
Ida e volta de metrô para duas pessoas (cobrança de um dia)6.232 pesos
Uber do Aeroparque até o hotel em Palermo12.536 pesos
Uber do hotel em Palermo até o Aeroparque12.015 pesos

No extrato da Wise, a cobrança do metrô vem somada por dia, e não viagem por viagem. Os 6.232 pesos são as quatro passagens de um dia de ida e volta para nós dois.

Em setembro de 2026, a passagem de metrô já estava em 1.753 pesos. Os preços do transporte em Buenos Aires sobem quase todo mês, então confira antes de viajar.

E o ônibus?

Nós não usamos ônibus em Buenos Aires, então vai só o essencial: dá para pagar com a SUBE ou com cartão por aproximação. Se for pagar com cartão, diga ao motorista para onde você vai antes de encostar o cartão, porque o preço depende da distância.

Perguntas frequentes

Dá para usar cartão brasileiro no metrô de Buenos Aires?

Sim. As catracas sinalizadas aceitam cartões Visa e Mastercard por aproximação e celulares com NFC. Se for usar o cartão Wise emitido no Brasil, tenha saldo em moeda estrangeira, porque só reais não funcionam.

Uma SUBE serve para duas pessoas?

Sim. O mesmo cartão pode pagar mais de uma passagem. Nós usamos uma SUBE só para o casal em 2024.

Quanto custa o metrô em Buenos Aires?

Em setembro de 2026, a passagem estava em 1.753 pesos, pagando com cartão ou SUBE registrada. O valor é reajustado quase todo mês.

Onde comprar a SUBE?

Nós compramos num kiosko. Ela também é vendida nas estações de metrô e nos centros de atendimento ao turista.

É seguro andar de metrô em Buenos Aires?

Nós não sentimos insegurança em nenhum momento, de dia ou de noite. Evitamos os horários de pico e ficamos atentos, como em qualquer cidade grande.

Em resumo

As três dicas que eu levaria desta experiência:

  1. Sapato confortável. Você vai caminhar muito.
  2. Cartão por aproximação com saldo em moeda estrangeira, e procure a catraca sinalizada.
  3. Antes de voltar para casa, confira se a linha está funcionando.

Se você está planejando a viagem, comece pelo guia em 9 passos para planejar sua viagem a Buenos Aires. E se quiser tudo organizado num lugar só, o Guia de Buenos Aires reúne roteiros, mapas, hospedagens e dicas práticas.

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