O Deserto do Atacama é um daqueles lugares que você precisa ver com os próprios olhos pra entender. As fotos impressionam, claro, mas nenhuma imagem faz justiça à grandiosidade da paisagem, à intensidade das cores e ao silêncio absoluto que domina tudo ao redor.
Nossa jornada começou com um voo até Santiago, onde passamos dois dias explorando a capital chilena. Se você também vai fazer essa parada, vale conferir nosso post sobre o que fazer em 2 dias em Santiago.
De lá, pegamos um voo até Calama, e seguimos por terra até San Pedro de Atacama, base de todos os passeios na região. Foi assim que começou nosso roteiro de 5 dias intensos no deserto mais seco do mundo, com experiências que vão muito além das paisagens.
Prepare-se pra um texto recheado de dicas práticas, sugestões de passeios e algumas reflexões pessoais que só o Atacama é capaz de despertar.
Índice
Como chegar em San Pedro de Atacama
A melhor forma de chegar até San Pedro é voando primeiro para Santiago do Chile (SCL). De lá, siga com um voo doméstico até Calama (CJC) — a cidade mais próxima do deserto, com um aeroporto bem estruturado.
A viagem entre Calama e San Pedro dura cerca de 1h30 de carro. Há transfers privados e compartilhados que fazem esse trecho direto do aeroporto. Recomendamos agendar com antecedência, especialmente na alta temporada.
Onde ficar e como se locomover
San Pedro é pequena, charmosa e rústica. Ficar nas proximidades da rua Caracoles facilita muito, já que ali se concentram restaurantes, lojinhas, mercados e as agências de turismo.
Nós ficamos no Our Habitas e gostamos bastante. Único detalhe é que ele ficava a 10 minutos andando do centrinho e no final da viagem foi cansativo fazer essas caminhadas para sair para jantar.



Não é preciso alugar carro: os passeios incluem transporte, guias e alimentação.
Mas se você fizer questão:
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Deserto do Atacama em 5 dias: nosso roteiro completo
Abaixo, o que fizemos nos 5 dias em San Pedro de Atacama:
Primeiro dia – Chegada e primeiros passos em San Pedro
De manhã, saímos para caminhar pela rua Caracoles, comprar balinhas de coca para ajudar na adaptação à altitude, visitar a praça central e explorar a cidade com calma. Também aproveitamos pra olhar os cardápios dos restaurantes e sentir o clima do lugar.
San Pedro de Atacama está a mais ou menos 2.400 metros de altitude, o que já exige uma adaptação leve no primeiro dia. As manhãs são bem fresquinhas, mas quando o sol aparece, o calor bate forte e chega fácil aos 30 °C. A cidade é cercada por vulcões, entre eles o Licancabur, que domina o horizonte. Essa presença vulcânica, somada à aridez da região e à altitude, molda o deserto mais seco do mundo com paisagens que parecem de outro planeta.
Agora vamos aos passeios:
1. Vallecito (tarde do primeiro dia)
Nosso primeiro passeio oficial foi o Vallecito, um dos meus preferidos.

Entender como a Cordilheira de Sal se formou e o que aconteceu por ali há milhões de anos foi uma aula de geologia ao ar livre. O passeio inclui caminhada leve no deserto, com trechos de vento forte, areia no rosto e visuais de tirar o fôlego.

A altitude é parecida com a da cidade, mas o esforço físico e o clima seco exigem fôlego. A duração total foi de cerca de 4 horas.
Uma das paradas foi no famoso Magic Bus, um ônibus abandonado que servia aos mineradores da região. Hoje ele está parado em meio às dunas e virou um dos pontos mais fotogênicos do passeio.

Antes de seguirmos para o mirante, fizemos uma pausa especial com um cafezinho da tarde no deserto, acompanhado de um brinde com pisco sour. O contraste do drink gelado com o calor seco foi uma delícia e esse momento de pausa no meio da imensidão do deserto foi um charme à parte.

No final do dia, subimos até um mirante natural para ver o pôr do sol, que foi simplesmente maravilhoso e único. Quando o sol começa a se esconder, bate um ventinho gelado. Eu levei um fleece e um corta-vento, e foi o suficiente pra curtir esse momento sem passar frio.

2. Piedras rojas
Esse foi um passeio de dia inteiro, e talvez um dos mais variados em termos de paisagens. Saímos cedo de San Pedro com destino à Piedras Rojas, mas antes disso fizemos várias paradas memoráveis.
A primeira foi na Laguna Chaxa, dentro da Reserva Nacional Los Flamencos. Lá vimos dezenas de flamingos em seu habitat natural, se alimentando nas águas rasas com o fundo espelhado. Um cenário silencioso e hipnotizante.

Depois seguimos para duas lagunas altiplânicas: a Laguna Miscanti e a Laguna Miñiques. Ambas localizadas a mais de 4.000 metros de altitude, cercadas por montanhas nevadas e com águas azul profundo. Difícil escolher qual das duas é mais bonita.

Na sequência, chegamos ao ponto mais esperado do dia: Piedras Rojas. As pedras de coloração avermelhada formam um contraste inacreditável com o lago azul-turquesa e os vulcões ao fundo. A paisagem é de outro mundo.

Finalizamos o trajeto com uma parada simbólica no Trópico de Capricórnio, com direito a foto clássica na placa que marca a linha imaginária.

Durante o passeio, tivemos café da manhã e um almoço simples.
É importante levar casaco, protetor solar, óculos escuros, muita água e roupa de frio. Nós demos sorte e não pegamos ventos fortes nem temperaturas baixas, mas o clima por lá é imprevisível e pode esfriar bastante.
3. Geysers del Tatio (manhã do terceiro dia)
Esse é o passeio mais gelado do roteiro — e também um dos mais impressionantes. Saímos de madrugada, por volta das 4h30, e enfrentamos temperatura de -7 °C nos Geysers del Tatio, localizados a mais de 4.300 metros de altitude.
O Geyser del Tatio é o campo geotérmico mais alto do mundo e abriga mais de 80 gêiseres ativos. As colunas de vapor são muito mais intensas bem cedinho, quando a diferença entre o calor subterrâneo e o frio da superfície é maior. O cenário é surreal: nuvens de fumaça surgem do chão, cercadas por montanhas, e tudo ganha um ar mágico.

Apesar do frio ferrado no início, a sensação térmica melhora assim que o sol nasce. Mesmo assim, é essencial se preparar: use roupas em camadas, como segunda pele térmica, fleece,corta-vento e casaco térmico. Não subestime o frio, ele é real. Isso que fomos no verão.
Depois da caminhada entre os vapores, tomamos um café da manhã ali mesmo, no alto da montanha. Simples, mas reconfortante.

Na volta, o passeio ainda passou por Machuca, um pequeno povoado com casinhas de pedra e telhado de palha, e por um pântano no meio do deserto, onde vimos mais flamingos do que no dia anterior. Foi um bônus inesperado e encantador!

4. Laguna Cejar (tarde do terceiro dia)
Depois do frio intenso da manhã nos gêiseres, nada melhor do que um mergulho em águas salgadas e cristalinas. A Laguna Cejar é conhecida pela alta concentração de sal, o que faz com que você flutue com facilidade — uma sensação super divertida e, sem dúvida, a parte mais legal do passeio.

O local tem estrutura com banheiros e duchas, o que é fundamental pra tirar o sal do corpo após o banho. Isso é ainda mais importante considerando o calor que pegamos — fazia cerca de 35 °C quando estivemos lá, e manter a pele coberta de sal nesse clima definitivamente não é saudável.
O passeio normalmente inclui três paradas: a própria Laguna Cejar, os Ojos del Salar (duas lagoas redondas no meio do deserto) e a Laguna Tebenquiche, onde tivemos um cafézão da tarde com vista privilegiada.
5. Ruta de los Salares (manhã do quarto dia)
Esse foi o único passeio que fizemos sem estrutura de banheiro durante o trajeto — então, é bom se preparar antes de sair. Saímos por volta das 7h da manhã e voltamos perto das 13h, com café da manhã e almoço incluídos.

Apesar da logística mais rústica, foi um dos dias com paisagens mais impressionantes de toda a viagem. Visitamos salares andinos lindos, cercados por vulcões, lagoas coloridas e céu limpo. As paradas são feitas em mirantes com vistas panorâmicas, sem necessidade de trilha ou caminhada longa — ideal pra quem quer curtir o visual com mais tranquilidade.
Durante o trajeto, passamos pela borda de um megavulcão extinto, onde há formações rochosas gigantescas que parecem esculturas naturais. A energia do lugar é forte e o vento também: ventou bastante durante todo o passeio, o que reforça a importância de levar corta-vento e óculos de sol.

Além dos flamingos e burros selvagens, também avistamos muitas vicuñas — parentes das lhamas, com pelagem clara e andar elegante. São animais nativos dos Andes, extremamente ágeis e adaptados à altitude. Foi um privilégio vê-las em grupo, vivendo soltas na paisagem altiplânica.
E como se não bastasse, ainda tivemos sorte de ver um zorro, a raposa típica do deserto. Um encontro raro que fechou o passeio com chave de ouro!
6. Caravana Ancestral (tarde do quarto dia)
Esse passeio foi um verdadeiro mergulho na cultura atacamenha — uma experiência sensorial e afetiva que foge completamente dos roteiros tradicionais. Tudo é conduzido por pessoas nascidas e criadas na região, que compartilham saberes passados de geração em geração.
A primeira parte da atividade acontece em um espaço comunitário onde tivemos contato com especiarias locais, sementes nativas, chás medicinais e infusões típicas da região. Também colocamos a mão na massa: fizemos pequenas criações com argila, aprendendo sobre a importância do barro na tradição artesanal do povo atacamenho.
Depois, veio o ponto alto da experiência: saímos em uma caminhada leve pelo deserto ao lado de llamas, enquanto o sol ia baixando no horizonte. A luz do entardecer, o silêncio do deserto e a companhia dos animais criaram um clima de introspecção e conexão com a natureza difícil de descrever.

Mais do que um passeio, a Caravana Ancestral é uma imersão profunda no modo de vida e na espiritualidade local. Um momento de pausa, escuta e respeito por um território que carrega muita história.
7. Termas de Puritama (manhã do quinto dia)
Pra fechar a viagem com mais leveza, escolhemos dois passeios tranquilos pro último dia — e a manhã foi dedicada às Termas de Puritama. As piscinas naturais de água quente ficam escondidas em um cânion, rodeadas por vegetação típica do deserto.

As águas termais têm temperatura média entre 28 °C e 33 °C, e o acesso é por passarelas de madeira que ligam uma piscina à outra. O ambiente é silencioso, relaxante e perfeito pra dar uma pausa depois de dias intensos de exploração.

A estrutura do local é muito boa: tem banheiros, vestiários e áreas de descanso, o que torna a experiência ainda mais confortável. A dica aqui é chegar cedo pra evitar o fluxo maior de visitantes.
8. Tour Astronômico (noite do quinto dia)
Fechamos nossa viagem da melhor forma possível: olhando pro céu. O Tour Astronômico no Atacama é uma experiência única, graças ao céu limpo, seco e praticamente sem poluição luminosa — um dos melhores lugares do mundo pra observação de estrelas.
Começamos com uma mini aula sobre astronomia enquanto provávamos alguns petiscos e vinho chileno, em um ambiente super aconchegante montado no deserto. Depois seguimos para os telescópios, onde observamos planetas, constelações e nebulosas — apesar de não vermos a Via Láctea com clareza, talvez por conta da época do ano, o céu estrelado foi impressionante mesmo assim.
No final, teve sessão de fotos com as estrelas ao fundo, registrando aquele momento mágico no meio do deserto. Já perto da hora de ir embora, ganhamos mais uma taça de vinho, enquanto aguardávamos o transfer de volta.

Importante: esfria bastante à noite, então vale ir bem agasalhado, com camadas e um bom casaco térmico.
Foram cinco dias intensos, surpreendentes e cheios de contrastes. Do calor escaldante ao frio cortante, de paisagens lunares a banhos termais, de caminhadas silenciosas a brindes no deserto. O Atacama não é um destino qualquer, ele te envolve, te desafia e te transforma.
Cada passeio trouxe uma emoção diferente: a imensidão das Piedras Rojas, o vapor dos Geysers del Tatio, a leveza de flutuar na Laguna Cejar, o silêncio da Caravana Ancestral, o céu estrelado do tour astronômico. Difícil escolher um favorito.talvez o que fica mesmo é o conjunto, a experiência como um todo.
E talvez seja essa a maior beleza do deserto: ele te obriga a desacelerar, a escutar o silêncio e a olhar pra dentro. Mais do que uma viagem, foi um reencontro com o essencial.
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Planejar uma viagem do zero pode ser bem trabalhoso.
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Que viagem incrível!
E olha que eu sou muito mais cidade do que natureza…